Os sete princípios do cooperativismo são as diretrizes pelas quais as cooperativas implementam seus valores. Eles foram definidos em 1844, na Inglaterra, quando um grupo de tecelões se uniu para enfrentar os preços abusivos praticados pelos comerciantes. Nascia assim a primeira cooperativa do mundo: a Sociedade dos Pioneiros de Rochdale.

No século seguinte, os princípios foram revisitados pela Aliança Cooperativa Internacional, com sede em Bruxelas, Bélgica. Essa revisão foi necessária em razão da dinâmica social e do perfil dos novos cooperados. 

Os sete novos princípios, em vigor atualmente, foram definidos em 1995. Toda cooperativa, independentemente do país em que esteja localizada, deve se orientar por eles. 

Conheça, neste artigo, quais são os princípios do cooperativismo, entenda o que significam e como são aplicados cada um desses valores.

1. Adesão livre e voluntária

As cooperativas são organizações voluntárias, abertas a todas as pessoas e dispostas a aceitar as responsabilidades dos membros, sem discriminação social, racial, política, religiosa ou de gênero.

As portas das cooperativas estão sempre abertas a quem estiver apto a utilizar os serviços. Da mesma forma que ingressou, o associado é quem decide se vai ou não permanecer. Ele não sofre nenhum tipo de pressão para entrar ou sair da sociedade. 

2. Gestão e controle democrático dos membros

As cooperativas são organizações democráticas controladas por seus membros, que participam da definição de suas políticas e da tomada de decisões. Homens e mulheres, quando se tornam representantes eleitos, são responsáveis pela associação. 

Nas cooperativas de primeiro grau, os membros têm direitos iguais de voto (um associado, um voto). As associações de outros graus também são organizadas de forma democrática. 

Desde o início do movimento cooperativista, este segundo princípio tem sido a característica central das cooperativas. Nelas, “democracia” implica levar em conta direitos e responsabilidades, mas também promover o espírito democrático, uma tarefa fundamental e valiosa.

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Os associados têm participação ativa na tomada de decisões da cooperativa.

3. Participação econômica dos membros

Os associados contribuem de forma equitativa e controlam democraticamente o capital da cooperativa. Pelo menos parte desse capital é propriedade comum da instituição. Os membros recebem remuneração limitada, se houver, sobre o capital subscrito como condição de associação. 

Os sócios destinam as sobras para um ou todos os seguintes propósitos: 

  • Desenvolvimento da cooperativa, formando reservas
  • Distribuição dos resultados proporcionalmente às transações de cada associado 
  • Apoio a outras atividades aprovadas democraticamente 

Este terceiro princípio significa que as cooperativas existem para satisfazer as necessidades das pessoas, e não necessariamente para gerar uma rentabilidade especulativa sobre o capital investido. 

4. Autonomia e independência

As cooperativas são organizações autônomas controladas por seus membros. Por isso, caso sejam firmados acordos com outras entidades, incluindo governos, ou seja levantado capital de fontes externas, os termos devem sempre garantir o controle democrático de seus membros e manter a autonomia cooperativa. 

A integridade de uma cooperativa como organização autônoma e independente encontra-se nos valores de autoajuda, responsabilidade e democracia, que têm sido essenciais na identidade cooperativista, desde o surgimento das primeiras entidades no século 19. 

Este princípio adverte que as cooperativas jamais devem abrir mão da independência e do controle democrático dos sócios ao firmar acordos que, porventura, possam colocar em risco a autonomia.

5. Educação, treinamento e informação

As cooperativas fornecem educação e treinamento aos associados, representantes eleitos, gerentes e funcionários para que possam contribuir para o desenvolvimento da entidade. Por sua vez, eles informam o público externo sobre a natureza e os benefícios da cooperação. 

O compromisso com a educação sempre foi um dos princípios e valores fundamentais do cooperativismo, citado desde os pioneiros de Rochdale. 

Para a Aliança Cooperativa Internacional, a educação nas cooperativas deve ser inovadora, criativa, aproveitar as oportunidades disponíveis pelas novas tecnologias e fortalecer os laços com as universidades, contribuindo com o campo de pesquisas.

A educação cooperativa nunca deve se afastar do objetivo central, que é desenvolver uma melhor compreensão sobre o sistema de cooperação e suas vantagens.

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Capacitação interna também educa o público de fora sobre as vantagens do sistema cooperativista.

6. Intercooperação

As cooperativas servem seus sócios com mais eficiência e fortalecem o movimento cooperativista, trabalhando juntos por meio de estruturas locais, nacionais, regionais e internacionais. 

Este sexto princípio é a expressão prática do valor da solidariedade. Ele diferencia as cooperativas das outras formas de sociedade mercantil, pois revela o desejo comum de criar um futuro econômico melhor, mais sustentável e equilibrado. 

Ele ainda mostra que são entidades sociais de pessoas que se relacionam de forma positiva com outras cooperativas. Ao unirem-se a uma cooperativa, os associados não só ajudam a construir sua própria associação, mas também o sistema como um todo. 

Há uma diferença entre a parceria das cooperativas e as ações entre empresas privadas: estas utilizam-se de fusões e aquisições para aumentar a participação no mercado e maximizar os ganhos sobre o capital; já as cooperativas colaboram entre si em mercados competitivos com a formação de grupos para criar riqueza para benefício mútuo. 

7. Interesse pela comunidade

As cooperativas trabalham para o desenvolvimento sustentável das comunidades por meio de políticas aprovadas pelos associados.

Este princípio demonstra que é possível atingir todos os objetivos e também ser uma instituição sustentável que beneficia tanto os associados quanto as regiões de atuação. 

São três faces de desenvolvimento regional na mira das cooperativas: sustentabilidade econômica, social e ambiental

As instituições entendem que o desenvolvimento social sustentável exige a manutenção de uma relação harmoniosa entre crescimento tangível e aspirações intangíveis da comunidade, que são cultura, artes, direitos, educação e história. Essa dimensão social do desenvolvimento é algo único que as cooperativas têm a capacidade de proporcionar. 

As cooperativas também têm tradição na prestação de serviços sociais, como educação e integração ao mercado de trabalho. A preocupação com o meio ambiente se converteu em um ponto fundamental do movimento cooperativista, a partir de práticas sustentáveis na produção de alimentos e no estímulo ao consumo de “produtos verdes”.

O cooperativismo é um sistema que promove a inclusão econômica da população, permitindo que moradores de regiões onde as instituições financeiras tradicionais não atuam tenham acesso a soluções para realizar projetos. 

A Sicredi União PR/SP é uma cooperativa de crédito que entende os associados e oferece soluções para geração de renda e melhora na qualidade de vida da sociedade. 

Com atuação em 109 cidades do Paraná e de São Paulo, a cooperativa tem mais de 250 mil associados. Clique no banner e venha vivenciar os princípios do cooperativismo! 

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