Economista da Sicredi União PR/SP explica inflação e cenários

Economista da Sicredi União PR/SP explica inflação e cenários

Embora tenha desacelerado em junho, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), métrica oficial da inflação brasileira, acumula alta de 11,89% em 12 meses, acima da meta definida pelo Banco Central. Mas como funciona o cálculo da inflação e quais as perspectivas para esse indicador tão importante da economia?

O economista e especialista em investimentos da Sicredi União PR/SP, Roberto Rodrigues, explica que “para mensurar a inflação, existem diversos índices que buscam capturar a variação do nível de preços de determinadas cestas de consumo. No Brasil, temos o IPCA, composto por nove categorias de produtos para famílias com renda entre 1 e 40 salários-mínimos. Dentro dessas nove categorias, as que têm o maior peso são transporte, alimentos, habitação e saúde”. Ele acrescenta que quem faz as mensurações é o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) com base em regiões metropolitanas.

Na prática, quais as consequências da inflação alta? “Ela reduz o poder de compra e os preços dos produtos internos podem ficar superiores aos dos produtos externos. Isso significa uma quebra na competitividade internacional e pode ser que haja incentivo à importação. E o principal problema que eu julgo é que a inflação alta altera o estado das expectativas. Isso significa que os empresários podem deixar de fazer investimentos e de aumentar o número de empregados, porque não sabem como vão se comportar os custos de produção. Por isso existe um compromisso por parte do governo de tentar, por meio da autoridade monetária, que é o Banco Central, manter a inflação dentro de certos parâmetros. É daí que vem o conceito de meta de inflação”.

Rodrigues explica que o Conselho Monetário Nacional definiu a meta de inflação em 3,5%, com tolerância de 1,5% para mais ou para menos, ou seja, deveria oscilar entre 2 e 5% ao ano, bem abaixo da inflação atual. Para a equipe econômica do sistema Sicredi, a expectativa é fechar o ano com inflação na casa de 8%. “Quando a gente analisa os dados de inflação dos últimos meses, tende a acreditar que isso é resultado desse contexto de choque de oferta por conta da guerra na Ucrânia e fatores como a pandemia, com aumento nos custos de produção por conta da redução de oferta das matérias-primas. Mas olhando os dados das nove categorias, todas tiveram alta em julho e nos últimos meses”, destaca. Ele ressalta que em momentos de volatilidade, como o atual, é preciso analisar o núcleo da inflação, ou seja, excluir os efeitos sazonais, e o núcleo “aponta para tendência de elevação em patamares superiores à meta de inflação”.

O economista destaca que a inflação é sentida de forma diferente pelos consumidores. “O IPCA busca capturar a inflação das pessoas com 1 a 40 salários-mínimos. Uma medida importante é o INPC, que é Índice Nacional de Preços ao Consumidor, que mensura a inflação para pessoas com renda entre 1 e 5 salários-mínimos, que é a maioria da população brasileira. Aí pode ser que tenhamos uma inflação condizente com o que as pessoas têm sentido na hora de ir ao supermercado, por exemplo. A inflação é sentida de forma diferente, dependendo da cesta de consumo e da regionalidade, porque o custo de vida em tal região pode ser maior ou menor. Isso pode se traduzir em uma percepção diferente de inflação pelas pessoas em relação aos índices oficiais”.

Para ajudar a conter a inflação, governos federal e estaduais reduziram o imposto do combustível, mas para o economista a medida tem efeito no curto prazo, sem alterar a dinâmica de longo prazo. “A inflação deve permanecer elevada por um pouco mais de tempo e o Banco Central deve continuar se esforçando para manter a inflação dentro da meta em 2023”. Para o Sicredi, no ano que vem a inflação deverá ser de 5,1%.

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