Recentemente anunciado pelo Banco Central, o Bureau Verde promete quebrar paradigmas no campo, com diretrizes que trarão critérios de sustentabilidade hoje exigidas pelo mercado interno e externo e grandes oportunidades para o produtor rural.

O tema foi discutido pelo gerente de Desenvolvimento do Agronegócio da Sicredi União PR/SP, Vitor Pasquini, e pela advogada especialista em crédito agro e operações de Barter Ticiane Figueiredo, dentro da programação do Agrobit Brasil Evolution, encerrada na última quarta-feira, dia 10.

A regulamentação traz diretrizes para o crédito rural, ferramenta essencial para o futuro do agro e que vem avançando atrelado a demandas de adequações socioambientais.

O bureau verde traz três classificações de empreendimentos, dentro dos critérios de sustentabilidade, que balizarão a concessão de crédito rural: os empreendimentos que não poderão ser financiados por ter problemas relacionados, por exemplo, a desmatamento ilegal ou  trabalho análogo à escravidão; empreendimentos que poderão ser financiados com crédito rural, mas que configuram risco socioambiental, como imóveis com embargos de sobreposição;  e empreendimentos financiados com crédito rural que poderão ser classificados de operação sustentável, como por exemplo, agricultura de baixo carbono, outorga de água e utilização de energia renovável.

Pasquini destacou os benefícios da nova regulamentação, apontando as oportunidades que o produtor terá para agregar valor ao seu trabalho. Segundo o gerente, com a nova ferramenta o produtor poderá regularizar sua propriedade e mostrar ao mundo que pratica uma agropecuária sustentável, quebrando a retórica de que desmata para produzir; haverá a possibilidade de o governo oferecer maior incentivo ao setor, com taxas diferenciadas; e ainda poderá oferecer um produto diferenciado ao mercado, que está cada vez mais de olho na rastreabilidade.

 “Mas não é só”, comentou Pasquini. Ele apontou ainda que o produtor com crédito de carbono em sua propriedade poderá comercializá-lo, tornando a preservação uma moeda. Outro benefício mencionado por ele atinge tanto os fornecedores de crédito como os que buscam crédito no mercado. “Além dos recursos controlados do governo, a instituição financeira poderá criar um título verde e com isso encontrar investidores interessados nesses papéis dentro e fora do país, possibilitando a busca de recursos mais baratos para financiar as operações do setor”, explicou.

Para a advogada Ticiane Figueiredo, o tema discutido dentro da programação da Arena AgroFuturo do Agrobit Brasil Evolution 2021 é importante para a continuidade dos negócios. Ela considera que o Bureau Verde não afetará apenas o crédito rural, mas também o crédito privado devido à política de Open Banking.

Cooperativa está à frente

Segundo Vitor Pasquini, a  maioria das validações ambientais que o Bureau Verde traz a Sicredi União PR/SP pratica há tempo. “Além de registrar todas as operações de crédito rural no Sicor – Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro -, nós temos ferramentas de Geocrédito interligadas com os órgãos competentes que acusam as áreas de reserva legal, áreas de embargos, unidades de conservação, terras indígenas, trabalho escravo. Identificando essas áreas, a solicitação de crédito não é atendida. Portanto vejo mais impactos positivos do que negativos com o Bureau, principalmente para os produtores que já tomam crédito rural com a cooperativa”, mencionou.

Ele reforçou que o produtor rural precisa ficar de olho nas oportunidades, já que o mercado vem se movimentando, as grandes empresas estão cada vez mais olhando para a sustentabilidade dos seus negócios e o consumidor, na ponta, está cada vez mais interessado em saber a origem dos alimentos que estão consumindo.

Avaliar:

(0)